quarta-feira, 9 de março de 2011

O cair das folhas










Importa que haja o tempo passado...? E desde menina sonhava com a estrela prometida na Serra, seus olhos em voltas com seus muitos afazeres passeavam ignorando até minha sombra, minha vida não era de facilidades e autocomplacência, apenas imaginava que eram meus todos os corpos celestes...
Eu não me importava com sua ausência, mas mantia a fé de que um dia me levaria à Estrela, mas agora a vejo receber cadência por seu silêncio, saiba o Navio é feito para navegar, apesar da tempestade e, é nela que o Carvalho aprofunda raízes, os pinheiros soltam suas pinhas e o mesmo vento sopra tanto no cardo como na planta aromática, mas só uma delas espalha doces perfumes, entristeço-me diante de sentimentos piedosos que nos corações acham-se armazenados e desprovidos de liberdade.
Como era maduro imaginar o cair das folhas sem me importar com a estação, segurar sua mão, e caminhar nas trilhas desenhadas como que sinalizadas com fitas coloridas, tudo na minha frágil imaginação. Desejava acordar pela manhã nos seus braços, tomar café, leite, comer pão e deixar de lado a Manteiga, coisa de menina!, todas as coisas que tomavam seu tempo, eu só queria você, só desejava você, era como um herói, um príncipe inatingível, você, você, você... E nunca eu, como agora. Mesmo que o tempo haja passado e que agora já não possa colher o Alecrim e apertar sua mão. Sinto apenas pelo seu medo de falar-me, a fraqueza propicia dos homens, vendo-se diante do passado, talvez por saber que ainda há amor nos meus olhos outrora de menina, hoje de mulher que já sabe quem e o que quer...
Sigo outra trilha por seu adeus que me toma o direito da voz, o faço por minha intuição, a contemplar a tristeza do cair das folhas no chão.