terça-feira, 29 de junho de 2010

Meu coração em suas mãos


Me vi buscando sombras, vestígios, sentimentos,
E algo em mim ameno, mostrou-se bem mais sedento,
Tirando-me desta plenitude, fazendo-me lembrar,
Que tudo se esvai, até mesmo meus vãos pensamentos.

Dei-te o meu coração, desfiz dos meus sonhos ao amar-te,
Tomara suas mãos frias não o congele de todo,
E seu desgosto não venha navalhá-lo,
Pois ainda que peças, nada mais tenho para dar-te.

Guarda-o em ti, como num descanso celeste aqui,
Pois percebi que só há tranqüilidade em ti,
Aqueça suas mãos, suga raios de sol, que ferva sua voz,
Que não mane de seus lábios o vulgar "eu e você", deixe fluir o nós.

Leva-me à outra plenitude, que eu possa ver além deste finito,
Aqueça seu fôlego, fale aos meus ouvidos, uni seus lábios aos meus,
Leva-me a tocar em estrelas, a conhecer outros céus,
Abra seu coração e ouça o meu silencioso grito.

Depois verei, se peço de ti de volta, o meu tão frágil coração,
Que partiu de mim, seguindo sua sombra e caiu em suas mãos,
Peço, não o devolva com sede e fome como chegou a ti,
Pois nada há mais triste, que desiludir-se do sonho e da ilusão.