terça-feira, 27 de julho de 2010

Um vez eu conheci um anjo! (José Feldman- Pavilhão Literário)



(ao meu anjo que carregou consigo meu coração, Alba Krishna)

Uma vez conheci um anjo.
Não tinha asas e nem auréola,
mas tinha um olhar de anjo.

Uma vez conheci um anjo.
Era meiga, sincera,
e falava coisas tão bonitas
que sentia meu coração derreter.

Uma vez conheci um anjo.
sorria como só os anjos sabem sorrir,
e fazia biquinhos tão encantadores
que a vida parecia se tornar mais leve.

Uma vez conheci um anjo.
Ela viu algo dentro de mim,
que ninguém conseguia ver.
Viu beleza e amor.

Uma vez conheci um anjo.
E nos abraçamos,
nos beijamos,
cantamos juntos
e olhamos a lua
com olhar de apaixonados.

Uma vez conheci um anjo.
Juntamos nossas coisas,
e fomos morar juntos,
em um mundo angelical.

Uma vez conheci um anjo.
Tivemos gatos e cachorros,
presente dos céus para nós.
Mas estavamos juntos,
e nos amavamos.

Alguns morreram
outros apareceram em nossas vidas
e enfrentamos a vida juntos
Mas nos amavamos,
e tudo era benção dos céus.

Uma vez conheci um anjo.
A situação se apertou
e fomos para o Paraná.
Caminhavamos pelos parques,
riamos com novos amigos,
batalhando eramos felizes.

Uma vez conheci um anjo.
Voltamos ao seu lugar de origem.
Mas ríamos, cantavamos,
nos amavamos,
nos divertiamos,
mas estavamos ficando velhos.

Uma vez conheci um anjo.
Kika morreu.
Lad morreu.
Gwyddion morreu.
Baby morreu.
Bibo morreu.
Floquinho morreu.
Fluffy morreu.
Eramos felizes e nos amavamos,
e riamos, e bebiamos e nos beijavamos.

Uma vez conheci um anjo.
Ele tinha asas e voou.

Uma vez conheci um anjo,
e agora sei o que é sofrer
por querer um anjo.
O preço foi muito alto
Lad,
Cerydween,
Bastet,
Algodão
Kika
Gwyddion
Baby
Bibo
Floquinho
Fluffy
Meu anjo.

Uma vez conheci um anjo.
Hoje sei que são trevas,
Como a noite é escura,
fria e triste.
O que é solidão.

Uma vez conheci um anjo...
Poema de José Feldman