sexta-feira, 2 de julho de 2010

O Sorriso da morte (Aparecido Raimundo de Souza)

Esta tristeza está me aniquilando,
a minha vida aos poucos terminando,
com a certeza de sido honesta.

Não fui ninguém, sempre tão querido,
tudo o que fiz, eu sei, não foi perdido,
não chorem, por favor, só quero festa.


Estou feliz e nada levarei,
antes da morte ainda eu farei
algo que em vida me realizará.


Se já conheço esta sociedade,
e a ilusão que existe na cidade,
é a minha chance e não me escapará.

A morte, eu sei, que se aproxima,
para o poeta vem forçando rima,
chegou a hora de me despedir.


E é tão feliz, a quem ela avisa,
que vai chegar para levar a vida,
prefiro assim e não me iludir.


Não deixo nada, só recordação,
pudesse eu deixar meu coração,
pra quem de mim saudades vai sentir...


Mas sei, aos poucos, vão me esquecer,
inevitável será, vocês vão ver,
mais um motivo pra eu sorrir...